Parafraseando minha irmã Carol: "triste é saber que de fato existem pessoas assim."
Cuidado para você não ser um Desamador na vida de alguém!
Desamador
Cuidado para você não ser um Desamador na vida de alguém!
Desamador
Não sou capaz de amar por piedade. Amar é estar no mesmo nível, com a mesma altura dos ombros, o tremor de balbuciar e logo beijar para não esquecer o que o corpo pede. Não é rebaixar ou cumprir um favor.
Amar não é uma compreensão.
Amar não dá poder, é o despoder. Ensina a generosidade, a vontade de se diminuir para que o amor aumente.
Amar é ceder o gosto, a vida, o futuro. É oferecer a metade da gaveta, da cama, da luz, do banho, da mesa, da folha. É oferecer o que ainda nem se chegou a conhecer.
Tenho, sim, piedade daqueles que empregam o amor como forma de tirania.
Que falam em vão do amor como se fosse fácil encontrá-lo.
Que não exercitam a delicadeza, a retribuição e o cuidado atento, e gritam com quem quer apenas sussurrar. Armam-se do autoritarismo, da vassalagem, da discórdia. Não aceitam o contraponto, a discordância. Para assegurar o domínio, rebaixam seu par para que ele fique dependente, menor, indefeso (não forte, confiante e otimista, como deveria ocorrer e acarretaria independência).
Que envenenam com ofensas, indiretas ou ironias quando sua vítima está desprotegida.
Que não entendem que toda palavra é um pedaço da boca, e que a boca sangra com facilidade.
Que acreditam que o parceiro ou a parceira não tem escolha e que ficará se sujeitando aos seus terrores e dissabores.
Da figura do desamado, o que sofre solitário, surge o desamador, o que desagrega a solidão e faz sofrer. Porque ele recebe o amor e troça de sua força. Seduz por diversão e hábito, pouco se importando com o envolvimento que se segue.
O desamador dirá depois de usar o amor: “Não prometi nada”. Lavará as luvas para não comprometer as mãos. Omitirá compulsivamente, que é mais repulsivo do que mentir.
O desamador chamará qualquer cobrança de neurose, de doença, de loucura. Fará a pessoa se sentir torta, infeliz, incriminada de rancor. Depois ainda contará para os seus amigos e amigas que está sendo perseguido, e apagará o que não combina com sua versão.
O desamador não fica doente; adoece o mundo.
O desamador não é facultado ao ódio, quem dera! O ódio ainda facilita o amor.
O desamador recorre à intolerância. Chora somente no sufoco, pede desculpas no momento em que é desmascarado, mas não muda, continuará maltratando com a indiferença. Ele não é bom, muito menos ruim; é apático. Seu autoritarismo é a negação da fraqueza. Tudo que acontece de errado em sua vida vai transferir para quem está ao seu lado.
O desamador emprega a crueldade da reticência, do subentendido; não assume suas escolhas. Induz sua companhia a entender; sem dizer nada.
O desamador gera culpa, mais ele exercerá a sua autoridade. Parte da ilusão de que ele ou ela não voltará atrás. Condiciona seu afeto a uma esmola.
Custo a crer que o desamador nasceu do ventre de uma mulher.
Autor : Carpinejar (O amor esquece de começar )
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